No ciclo 2012/2013, o Brasil colheu uma supersafra de grãos, na casa de 185 milhões de toneladas. Além do recorde de produção, os preços da soja e do milho estavam elevados devido à quebra da safra nos Estados Unidos, que enfrentava os efeitos da seca. Ao mesmo tempo, a área plantada de grãos cresceu 4,8%, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Naquele ciclo, os produtores brasileiros estavam bastante capitalizados.
O ambiente era favorável ao mercado de máquinas agrícolas. Com juros de 2,5% ao ano, proporcionados pelo antigo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), tomar dinheiro emprestado significava, na prática, pagar juros reais negativos. A combinação de crédito barato e produtores capitalizados estimulou a renovação da frota. Em 2013, as vendas de máquinas agrícolas cresceram 18,4%, segundo a Anfavea, em um recorde histórico para o setor.
Da Índia, a Mahindra acompanhava esse crescimento. De olho no mercado brasileiro, a marca iniciou sua operação no país em 2012. Na época, a comercialização dos tratores era feita de forma indireta, por meio de parcerias. No primeiro ano, foram vendidos cerca de 200 tratores.
Nos anos seguintes, o mercado de máquinas agrícolas passou a sentir os efeitos do forte ciclo de renovação de frota de 2013. O setor enfrentou uma queda acentuada no faturamento e, em dezembro de 2015, as vendas de máquinas recuaram 45,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo a Anfavea.
Nesse período, as vendas da Mahindra permaneceram estáveis, entre 200 e 300 tratores por ano. Enquanto a indústria de máquinas agrícolas enfrentava o fim do PSI, a alta dos juros e a escassez de crédito, a marca lidava com o desafio de nacionalizar seus componentes. Isso porque, para acessar programas de financiamento com taxas de juros mais baixas, os tratores da Mahindra precisavam atender a um percentual mínimo de nacionalização.
